Cristiano Zanin e Flávio Dino, dois ministros indicados por Lula ao Supremo, movimentaram no domingo processos ligados à crise envolvendo Alexandre de Moraes. Zanin determinou que a Polícia Federal entregasse ao seu gabinete, até as 23h, a cópia integral dos dados do celular de Daniel Vorcaro e declarou que não existe hierarquia entre os ministros do STF. No mesmo dia, Dino retirou o sigilo de cerca de 5 mil páginas da investigação paulista relacionada ao filme Dark Horse e ordenou o envio do material bruto à PF, usando a decisão de André Mendonça no caso Master como fundamento para dar publicidade aos documentos.

Ministro Flávio Dino durante sessão do Supremo Tribunal FederalFlávio Dino retirou o sigilo de documentos do caso Dark Horse. Foto: Rosinei Coutinho/STF

A sequência de medidas em horário incomum fortaleceu a leitura de que ministros próximos ao campo político de Lula entraram diretamente na disputa institucional aberta por Mendonça. No vídeo da Jovem Pan News, o advogado Thulio Nassa avalia que existe um contra-ataque contra Mendonça por seu empenho em avançar sobre as mensagens envolvendo Moraes. Para a campanha de Lula, o episódio cria um risco eleitoral evidente: a oposição ganha novos elementos para associar o presidente à tentativa de proteger Moraes e transformar a crise do STF em argumento de campanha nas semanas decisivas antes da votação.