PERÍCIA RECUSOU OS CELULARES DO DARK HORSE. DINO SOLTOU O DOSSIÊ A 21 DIAS DA URNA
O Instituto de Criminalística de São Paulo devolveu aparelhos da produtora porque o lacre deixava passar cabo USB. A falha na cadeia de custódia e o timing de Dino viram munição para Flávio.
O Dark Horse é a cinebiografia de Jair Bolsonaro. A produtora Go Up, de Karina Gama, e o produtor-executivo Mário Frias estão no centro da Operação Make Up, autorizada por Flávio Dino. No domingo (13), a 21 dias da urna, o ministro derrubou o sigilo de 4.618 páginas da polícia paulista. Nessas páginas a perita Viviane Fleitas Menezes recusou o lote de eletrônicos: treze embalagens de celular e notebook tinham vão para cabo USB de alimentação e transferência de dados, e quatro embalagens de pen-drive deixavam retirar o dispositivo sem romper o lacre. A busca foi em 1º de junho; o material só chegou ao Instituto de Criminalística em 3 de junho. A SSP diz que não houve extração. A perita escreveu o contrário — era possível manipular o interior. O iPhone de Karina, único aparelho dela na busca, segue sem perícia há mais de cem dias.

Para Flávio Bolsonaro isso vira arma de campanha e de defesa. A cadeia de custódia nasceu furada: se o lacre deixa entrar USB, a defesa pode pedir a nulidade da prova digital e desmontar o dossiê que Dino jogou na praça às vésperas do voto. O timing reforça a tese de interferência política — o mesmo ministro que a oposição aponta como braço do Planalto no STF solta o pacote quando a urna está perto. Flávio já classificou a Make Up assim. Na prática, a falha no lacre beneficia o candidato de dois jeitos: enfraquece a prova usada para manchar o filme do pai e mostra ao eleitor que a ofensiva contra o entorno bolsonarista chegou com documento contaminado. Cabe a Dino explicar o domingo. Cabe à Polícia Civil explicar o vão no saco.

