William Waack abriu o WW da CNN, na noite de quinta, com o cancelamento do debate da Globo ainda quente, e chamou a noite de bagunça judicial. A judicialização das eleições, disse ele, está em pleno curso e aparentemente não há controle nem limite. A bagunça processual daquela noite é, ao mesmo tempo, causa e consequência da politização no topo do Judiciário. O reel de Vinicius Carrion, nesta sexta, circula o jornalista da CNN resumindo o que ele chamou de tragédia que o Supremo está produzindo no Brasil.

O caos que Waack descreve cabe em horas. Estela Aranha, no TSE, proibiu o púlpito vazio de Lula e as perguntas a quem faltasse. Gilmar Mendes, no STF, mandou incluir Renan Santos, depois de o próprio tribunal eleitoral e a Corte já terem dito não. A Globo cancelou faltando menos de uma hora, e falou em insegurança jurídica e em interferência na liberdade de organizar o debate. Waack aponta o método: um ministro passa por cima de decisão de outro tribunal, e o instrumento da reclamação, em matéria que não tem a ver com o processo, serve para a causa cair no juiz escolhido. Ele diz que essa prática, comum nas últimas duas semanas, desmoralizou os tribunais superiores.

A pergunta que ele deixa é a da eleição. Afinal, trata-se de esperar justiça ou de conseguir decisões de cunho claramente político-eleitoral, travestidas de aplicação de justiça. A resposta dele, no texto publicado pela CNN, é um sonoro sim. Domingo é 4 de outubro, e o último debate antes da urna não aconteceu.