MALU GASPAR DIZ AO VIVO NA GLOBONEWS QUE MINISTROS DO STF VIRARAM CABO ELEITORAL
Ao comentar o cancelamento do debate da Globo, a colunista afirmou que magistrados que atuam a favor de um candidato deixam de ser juízes e deveriam tirar a toga
A jornalista Malu Gaspar, colunista do Globo e comentarista da GloboNews, fez uma das críticas mais duras da noite ao Judiciário quando comentou ao vivo, no Em Pauta da quinta-feira, dia 1º, o cancelamento do debate presidencial da TV Globo. “Nós estamos diante de uma situação surreal, absurda, inaceitável de ministros do Supremo que estão virando cabo eleitoral de candidato à Presidência”, afirmou, antes de completar que, se o ministro do Supremo quer fazer campanha, “ele tira a toga e vai fazer campanha, vai fazer política”. Na mesma fala, que voltou a circular nesta sexta-feira em vídeo publicado nas redes sociais, ela disse que ministros do STF e do TSE que resolvem atuar a favor de um candidato “deixam de ser juízes”.
A reação veio depois de uma sequência de decisões individuais tomadas a poucas horas do programa, a começar pela liminar da ministra Estela Aranha, do TSE, que atendeu a um pedido da coligação de Lula e proibiu a emissora de exibir o púlpito vazio do presidente, ausente por decisão própria. Pouco depois, o ministro Gilmar Mendes, do STF, acolheu um pedido do Solidariedade e mandou incluir Renan Santos, do Missão, embora o partido tenha apenas um deputado no Congresso, abaixo dos cinco exigidos pela lei. A ordem veio mesmo depois de o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, e a ministra Cármen Lúcia terem negado pedidos anteriores para incluir o candidato no encontro. Flávio Bolsonaro, por sua vez, desistiu de participar logo depois da decisão sobre o púlpito, e a Globo acabou cancelando o encontro ao afirmar que as decisões de última hora causavam insegurança jurídica e representavam uma interferência indevida na liberdade de imprensa.
O peso da crítica está justamente em quem a fez, já que Malu Gaspar é uma das principais vozes do jornalismo político do Grupo Globo e falou dentro do canal da própria emissora atingida pelas decisões, num momento em que as entidades do setor também reagiam. A Abert, a ANJ e a Aner divulgaram nota conjunta em que manifestaram profunda indignação com a intervenção judicial e a trataram como agressão à liberdade de imprensa. A página que compartilhou o vídeo foi além e apresentou a fala como prova de que Lula e seus aliados no Supremo mancharam a democracia, leitura que ganhou força entre eleitores da oposição na reta final da campanha.
Com o cancelamento, o país chega ao primeiro turno, marcado para o domingo, dia 4, sem o último debate entre os presidenciáveis, uma tradição que a Globo mantinha desde 2002 e que foi interrompida pela primeira vez. Como as decisões de Estela Aranha e de Gilmar Mendes foram liminares assinadas por um único ministro, elas ainda podem ser submetidas aos plenários do TSE e do STF, que têm a palavra final sobre o tema, embora o efeito prático sobre o debate já esteja consumado.

