ESTELA ARANHA, QUE FECHOU O PÚLPITO DE LULA, JÁ PEDIU VOTO NELE
No segundo turno de 2022, ainda advogada, ela disse que votava 13 para estancar o autoritarismo e salvar o sistema de Justiça. Lula a nomeou ao TSE em 2025 e, procurada, ela não comentou o vídeo
A ministra do TSE Estela Aranha, que na noite de quinta proibiu a Globo de mostrar o púlpito vazio de Lula e de deixar os outros candidatos fazerem perguntas a ele, já declarou voto no presidente. No vídeo, ela diz: “Voto em Lula no segundo turno. Eu voto 13 porque, como advogados, nós não temos outra opção que não seja o Lula para a gente estancar o aumento do autoritarismo, para a gente defender o Estado democrático de Direito e a democracia no país.” E completa que os advogados devem votar em Lula, inclusive para salvar o próprio sistema de Justiça. A Folha situou a fala no segundo turno de 2022, contra Jair Bolsonaro, e registrou que a data exata da gravação não pôde ser confirmada. Naquele ano ela era advogada, não ministra.
O caminho até a cadeira do TSE passou pelo governo que ela pedia voto. Na gestão de Flávio Dino no Ministério da Justiça, foi secretária nacional de Direitos Digitais, de 2023 a 2024. Depois de sair, Rui Costa a indicou como assessora especial de Lula. Em 1º de agosto de 2025, Lula a nomeou ministra do TSE, ao lado de Floriano Marques. A posse foi em 5 de agosto, e o mandato vai até agosto de 2027. A liminar de quinta atendeu a coligação Brasil Pronto pra Mais, de Lula. Ela disse que o púlpito vazio poderia gerar desequilíbrio. A Globo cancelou o debate. Procurada pela Folha, Estela não quis comentar o vídeo.
O áudio chegou à live de Flávio pelas mãos do deputado Gustavo Gayer, que pediu para o povo ouvir. Quando terminou, Flávio perguntou se era a Estela Aranha e completou: “defensora da democracia”. Gayer ligou a gravação à decisão do dia, a que proibiu o púlpito vazio e as perguntas. A CNN e o UOL registraram a viralização nas redes da direita, horas depois de a ministra nomeada por Lula ter fechado, no último debate antes de domingo, o lugar vazio do candidato em quem ela disse que votava.

