Vorcaro diz que sofreu tortura na prisão e que tem muito a delatar
No depoimento ao gabinete de Mendonça, o dono do Master falou em intimidação para não colaborar e citou Andrei Rodrigues. A PF rejeitou duas delações. Agentes negam o relato.
Na semana passada, Daniel Vorcaro prestou depoimento gravado em vídeo a um juiz auxiliar do gabinete de André Mendonça, no STF, sem a Polícia Federal na sala. Disse que, sob custódia da PF, sofreu tortura psicológica, maus-tratos e ameaças veladas para não delatar fatos ligados à corporação. Renovou o pedido de colaboração: “Tenho muito a contribuir relatando os fatos e a verdade, mas ninguém quer me ouvir. Uma loucura.” Citou o diretor-geral Andrei Rodrigues como quem, na sua leitura, barra o acordo porque também teria se relacionado com ele. A defesa pediu a oitiva porque vê um “acordão” institucional para impedir que o banqueiro fale de autoridades e busque benefício.
Não é a primeira oferta. Desde a prisão de março, Vorcaro tentou delação ao menos duas vezes; PF e PGR recusaram os anexos por falta de prova nova. Em 28 de agosto falou por videoconferência da Papudinha e insistiu na terceira tentativa. Mendonça confirmou nesta quarta (2) que o depoimento recente ocorreu com o Ministério Público e sem a PF, e que Alexandre de Moraes não foi tema da sessão.
Procurados pela Folha, o advogado Daniel Bialski e Andrei não responderam. Interlocutores do diretor-geral dizem que ele jamais teve relação com Vorcaro e que o único encontro foi casual, em Londres, num seminário do grupo Voto patrocinado pelo Master. Agentes afirmam que o banqueiro poderia ter ido à PGR sem passar pela PF e leem o depoimento como manobra para delatar fora da polícia. O que está no vídeo é a versão de Vorcaro. O que não está é laudo de tortura, inquérito de maus-tratos ou acordo homologado. Cabe à PF e à PGR responder se recusam a ouvi-lo por falta de prova ou por nome que ele quer pronunciar.

