Nesta quarta (2/9), o Instituto Gritos de Liberdade (IGL) propôs ao presidente do STF, Edson Fachin, o afastamento temporário de Alexandre de Moraes dos processos do 8 de janeiro. O documento, obtido em primeira mão pela revista Oeste, sugere também redistribuir decisões urgentes que envolvam os manifestantes. O pedido veio depois que André Mendonça retirou o sigilo do relatório da Polícia Federal com mensagens de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, atribuídas a um contato de Moraes.

A entidade, fundada e presidida pela advogada Taniéli Telles, representa envolvidos no protesto de 2023. “Fatos supervenientes podem justificar reavaliação da aptidão para permanecer à frente de processos sensíveis, sobretudo quando a autoridade é mencionada em relatório policial produzido sob supervisão de outro ministro da própria Corte.” O IGL também questiona a suspensão, por Moraes, da Lei da Dosimetria, pede que o tema vá ao plenário físico e quer explicações sobre a participação do ministro na consulta e na edição dos contratos citados pela PF. “A liberdade não admite postergação indefinida.”

Fachin ainda não se manifestou sobre o ofício. Nesta manhã, o presidente da Corte disse que anunciará, “no tempo devido e sem precipitação, as medidas cabíveis e necessárias”, sem citar Moraes. Pedido de instituto não é decisão judicial. Relatório da PF e menção em mensagem não são condenação. O relator do 8 de janeiro segue no cargo até que o STF, se quiser, decida o contrário.