No sábado (29), a defesa de Ronaldo Edison Richard, conhecido como Richard Galo, protocolou no gabinete de Alexandre de Moraes a certidão de óbito do aposentado de 63 anos. Ele morreu em 10 de agosto, em casa, em Santa Rosa (RS). O GP1 o descreveu como aposentado de salário mínimo. A certidão diz que a origem da morte ainda não está totalmente esclarecida e cita alcoolismo e hipertensão. O advogado José Aristeu de Sousa disse à revista Oeste que a família relatou infarto e que Richard “vivia apavorado com medo de ser preso”, andava de muletas e, às vezes, de cadeira de rodas.

Richard era réu da 23ª fase da Operação Lesa Pátria. A PGR o denunciou, e a Primeira Turma do STF aceitou a denúncia, por suposto financiamento de uma caravana do Sul a Brasília no 8 de janeiro. O alvo era o aluguel de um ônibus de R$ 22 mil. A própria PF escreveu ser “absolutamente improvável e inverossímil” que ele tivesse pago com recursos próprios e apontou arrecadação entre passageiros. A defesa diz que ele só assinou a saída do ônibus da garagem, não esteve em Brasília e não aparece na lista dos 35 passageiros. No celular apreendido, a PF “não constatou fatos, dados ou indícios relevantes”.

O Supremo tratou o aposentado de salário mínimo como financiador de golpe. No mesmo tribunal, Moraes permanece relator, vice-presidente e peça central da Corte enquanto o relatório da PF descreve contrato de R$ 131 milhões do escritório de Viviane Barci de Moraes com o Banco Master — e mensagens de Vorcaro a um contato salvo como o ministro. Denúncia não é condenação, nem de um lado nem do outro. A diferença de peso é o que a certidão deixou no gabinete: o réu pobre morreu; o ministro segue como se nada tivesse acontecido.