Na quinta (27), Daniel Vorcaro gravou depoimento de quase duas horas a um juiz auxiliar de André Mendonça, na Papudinha, sem a Polícia Federal na sala. O Estadão publicou o teor nesta quarta. O banqueiro disse que a colaboração que pretende fazer, “no que tange a pessoas, são pessoas do núcleo do atual governo”, relações que teria feito “para me proteger dos ataques que eu estava sofrendo”. Houve, segundo ele, casos em que “foram cruzadas linhas de moralidade, linhas de ilicitude, que esses eu pretendia relatar.” Sobre Andrei Rodrigues: “viajou para eventos comigo.” As duas delações anteriores teriam parado, na sua versão, porque delegados blindam o diretor-geral.

O Valor registrou que investigadores consideraram o depoimento “inócuo”: um acordo poderia ter sido fechado só com a PGR, sem a PF. A corporação e a Procuradoria já rejeitaram duas propostas — maio e junho — por falta de prova nova. Interlocutores de Andrei repetem o encontro único e casual em Londres, no seminário do grupo Voto. Gonet, ontem, pediu o arquivamento das denúncias de maus-tratos por ausência de materialidade. Vorcaro não nomeou ministro do governo Lula no trecho publicado. Não juntou documento, data de viagem nem anexo.

O Diario360 e o Reel tratam o vídeo como nova delação protocolada. O que o Estadão descreve é outra coisa: sinalização de intenção, no gabinete do relator, depois de duas recusas. A PF lê estratégia jurídica para reabrir a mesa. O vídeo da CNN 360 e o debate do Grande Debate repetem a mesma linha — disposição de citar Andrei, sem homologação. Cabe a Vorcaro entregar o nome e a prova que diz ter. Cabe à PGR dizer se ouve sem a polícia. Até lá, o “núcleo do governo” é frase. Não é anexo.