Na terça (1º), no mesmo dia em que André Mendonça tirou o sigilo das mensagens de Vorcaro a Alexandre de Moraes, a Folha ouviu aliados de Lula. A leitura deles: o petista se blinda se o relator do Master abrir o que ainda está fechado no financiamento do filme Dark Horse — a cinebiografia de Jair Bolsonaro. Querem usar o diálogo Moraes–Vorcaro para cobrar o fim do sigilo da relação Flávio–Vorcaro. A Piauí publicou, no mesmo dia, um repasse extra de US$ 1,6 milhão (cerca de R$ 8,5 milhões à época) ao fundo que administra o dinheiro do longa, depois da data que Flávio deu como última transferência. O Reel chama isso de retaliação de “aliados do Fachin” no caso “Hercos”, para interferir na eleição e dar sobrevida a Lula. “Hercos” é Dark Horse. O pedido público saiu da campanha petista, não de despacho do presidente do STF.

O que está nos autos é outro calendário. Em maio, o Intercept mostrou Flávio cobrando Vorcaro por R$ 134 milhões para o filme; o senador admitiu R$ 61 milhões como “patrocínio privado”. Lindbergh Farias (PT) protocolou notícia-crime ligando o dinheiro a Eduardo nos EUA. Em 25 de junho, Fachin mandou o caso para Mendonça — por prevenção com o Master — e tirou da órbita de Moraes. A PGR opinou no mesmo sentido. Não há, nesta semana, decisão de Fachin reabrindo ou acelerando o Dark Horse. Há pressão política para Mendonça tratar Flávio como tratou Moraes: sem sigilo.

Flávio, nesta quarta na Expointer, chamou de “inadmissível” Moraes permanecer no STF e convocou 7 de Setembro contra Lula e o ministro. O contra-ataque que o Reel descreve existe como tese de campanha: se o relatório de Moraes vaza, o de Flávio também tem de vazar. Isso não prova que Fachin ordenou retaliação nem que o sigilo do Dark Horse já caiu. Cabe a Mendonça dizer se aplica ao senador a mesma publicidade que aplicou ao colega. Cabe a Flávio explicar o milhão e seiscentos mil dólares que a Piauí datou depois de maio de 2025.