Em 8 de novembro de 2024, Alexandre de Moraes pediu vista da Suspensão de Tutela Provisória 976, processo dos anos 1980 sobre o tabelamento do Instituto do Açúcar e do Álcool. Naquele mês, o escritório de Viviane Barci de Moraes já tinha contrato de três anos e 131 milhões de reais com o Banco Master. A minuta tinha sido enviada a Daniel Vorcaro em janeiro de 2024. Relatório da Polícia Federal aponta que a última edição do arquivo saiu do usuário identificado como Ministro Alexandre de Moraes. Luís Roberto Barroso havia votado para manter decisão contrária à tese do banco. Moraes segurou o feito até fevereiro de 2026.

Quando devolveu, o plenário — inclusive o próprio ministro — alinhou-se à União contra o pagamento antecipado reivindicado pelos interessados. André Mendonça afirmou ter tratado da mesma STP 976 num encontro com Vorcaro em março de 2025, no instituto do magistrado em São Paulo. O Master figurava como interessado. O escritório Barci declarou ter recebido 80 milhões e 200 mil reais em 22 meses, 94 reuniões e 36 pareceres, e negou atuação no Supremo. A CNN perguntou a Moraes se havia conflito de interesses. Não obteve resposta.

Pedir vista é prerrogativa de ministro. O intervalo de 14 meses coincide com o contrato da esposa no banco que tinha interesse no resultado. Isso está nas atas e no relatório da PF. Não demonstra, sozinho, combinação com Vorcaro. Cabe a Moraes explicar o tempo da vista. Cabe ao plenário dizer se o rito, nesse contexto, atende à regra de impedimento.