Na quarta (2), o plenário do STF julgou tributo e não tocou no relatório da Polícia Federal que atribui a Alexandre de Moraes as mensagens de Daniel Vorcaro. Antes e depois da sessão, segundo a Gazeta do Povo, Moraes conversou “em risadas e tom bem-humorado” com Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin — o núcleo que o Estadão descreve como seus principais defensores na Corte. O Globo registrou a bancada: Zanin, Moraes, Gilmar e Fachin de costas. Paulo Gonet, também citado no relatório, ficou discreto. Nenhum ministro falou o nome do Master no microfone.

Pela manhã, no mesmo prédio, Edson Fachin tinha classificado o episódio como momento de “especial gravidade”. Sem citar Moraes, disse que o cargo “não confere privilégios, mas impõe deveres” e que a Presidência anunciará, “no tempo devido e sem precipitação, as medidas cabíveis e necessárias”. Mendonça quer sessão pública do plenário. Gonet pediu a nulidade do relatório. Abrir inquérito contra ministro, pelo regimento, depende da PGR ou de ato de ofício do presidente. Fachin passou o dia em consultas individuais aos pares. A CNN escreveu que a decisão deve ficar para a semana que vem.

Não há, até esta publicação, despacho de avocação: Fachin não puxou formalmente os autos de Mendonça nem instaurou inquérito. O que ele fez foi recolher o próximo passo para o gabinete da Presidência — o mesmo homem que, à tarde, presidiu a sessão em que o alvo das mensagens ria com Zanin e Gilmar. O Reel lê isso como Fachin “pegando o processo”. O papel, por enquanto, é outro: ele decide se o caso vai a plenário aberto, a reunião reservada no modelo Toffoli ou ao arquivo que a PGR já pediu. As risadas não anulam o relatório. O silêncio da sessão também não o julga.