VIEIRA PEDE IMPEACHMENT DE NUNES MARQUES DEPOIS DE ZANIN NEGAR A CPI DO MASTER
O senador quer a perda do cargo e oito anos de inabilitação pelo voto na Destilaria Alcídia
Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou na quinta-feira (24) pedido de impeachment contra Kassio Nunes Marques por crime de responsabilidade. A peça pede a perda do cargo e a inabilitação para função pública por oito anos. O pedido veio no dia seguinte ao noticiário da decisão em que Cristiano Zanin negou liminar para obrigar Davi Alcolumbre a instalar a CPI do Banco Master. Zanin assinou essa negativa na terça (22). O Estado de Minas situou a denúncia na quarta. O despacho é de terça, e o impeachment, de quinta.
A CPI que Zanin se recusou a impor de imediato tem requerimento de 9 de março, com 41 assinaturas, acima das 27 que a Constituição exige. O objeto, como descreveu o Valor, é a relação de Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Vieira sustentou que o pedido está parado há quase seis meses na presidência do Senado. Zanin escreveu que, em mandado de segurança contra autoridade do Legislativo, é preciso prova inequívoca de omissão inconstitucional, e que essa prova não estava no pedido. Disse ainda que o recorte centrado em pessoas determinadas parece desdobramento de um requerimento anterior, não fato novo. Negou a liminar e manteve o processo. Mandou notificar Alcolumbre para prestar informações e abriu espaço para a Advocacia-Geral da União e a Procuradoria-Geral da República. Indicou que volta a olhar o caso depois dessas respostas.
O impeachment de quinta mira outro ministro e outro processo. O centro é o julgamento da Destilaria Alcídia contra a União, na Segunda Turma, em outubro de 2024, sobre o cálculo de indenizações do setor sucroalcooleiro, carteira de precatórios de interesse do Master. Em fevereiro de 2024 o sistema do Supremo registrou o impedimento de Nunes Marques. No mês seguinte o registro foi revertido como equívoco da assessoria. Ele votou e desempatou a favor dos credores, em placar de 3 a 2. Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro mostram Luiz Rennó, então diretor jurídico do banco, escrevendo “Ganhamos Alcídia” e, em seguida, compartilhando o contato de Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro, com a expressão “Dominado aqui”. A denúncia de Vieira diz que essa troca desmente a afirmação do ministro, em plenário, de que nunca julgou processo relacionado ao Master. A TV Brasil registrou que a peça também cita Camila Ramos, advogada que negociou contratos com Vorcaro, e o marido dela, o desembargador Newton Ramos, do TRF-1.
São dois caminhos no mesmo Senado e na mesma semana. Num, Zanin não obrigou Alcolumbre a abrir a comissão que olharia Moraes e Toffoli, e deixou o presidente da Casa se explicar. No outro, Vieira pede que os senadores destituam o ministro que é relator, desde o fim de março, do mandado de segurança pela CPI, assinado também por Eduardo Girão, e que seguia sem despacho. O UOL já tinha publicado, em 15 de setembro, a conversa de julho de 2025 em que Rennó pergunta a Vorcaro se mantém “R$ 500 mil por mês” para Kevin. O filho nega serviço ao Master e dinheiro do banqueiro. O ministro nega voto a favor do banco. O pedido de quinta não tira ninguém do cargo. Crime de responsabilidade de ministro do Supremo se julga no Senado, e a representação ainda depende de a Casa aceitar abrir o processo. O que Vieira fez foi pôr na mesa, dois dias depois de Zanin recusar a pressa da CPI, o nome do ministro cujo filho está no celular do dono do Master.

