Kassio Nunes Marques marcou para esta quarta-feira (30) o julgamento virtual, no Tribunal Superior Eleitoral, da decisão de André Mendonça que tirou do ar as publicações ligando Flávio Bolsonaro à retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. O Valor registrou o horário: a sessão começa às 10h e termina à meia-noite. O processo é a representação 0602260-84.2026.6.00.0000. Mendonça, vice-presidente do TSE, determinou que Meta, X, TikTok e YouTube impedissem a replicação do conteúdo e fixou multa de R$ 50 mil por dia e por provedor. Ele próprio pediu que o plenário virtual referendasse a ordem. Quem pautou, na noite desta terça, foi o presidente da corte eleitoral.

O caminho até essa pauta passou por uma recusa e por dois ministros do Supremo. No sábado (26), segundo a Carta Capital, Nunes Marques negou um pedido para levar a decisão ao plenário virtual. Um ministro do TSE tinha divergido em parte e sustentado que a ordem era genérica, sem exame de cada link. No domingo, Flávio Dino, a pedido do humorista Antonio Tabet, derrubou a liminar. Na segunda, Luiz Fux restabeleceu a decisão do TSE e escreveu que cabe à corte eleitoral a palavra final sobre tema de eleição. Os dois submeteram as liminares ao plenário do Supremo. Edson Fachin não pautou. No mesmo dia, Nunes Marques mandou ofício a Fachin falando em ingerência da Suprema Corte no TSE. Nesta terça à noite, com o Supremo sem data, ele colocou o caso na pauta virtual da própria corte.

O volume que Mendonça usou para justificar a pressa está no levantamento apresentado ao TSE. Foram apontadas, em caráter preliminar, 2.086 publicações, de 1.674 contas, mais de 21 milhões de visualizações, cerca de 1,49 milhão de curtidas e 312 mil compartilhamentos. A narrativa era a de que Flávio, ou a família, pretendia tirar de Aparecida a condição de padroeira. Ele desmentiu. O gancho era um projeto arquivado há quase vinte anos. Mendonça concluiu, em exame sumário, que não havia suporte fático mínimo e que retirar um post não interrompia a cópia. Uma petição seguinte já apontava 1.301 publicações novas depois da correção. A campanha tratou o conteúdo como falso. O ministro que divergiu no sábado pedia que cada publicação fosse lida antes da retirada em bloco.

O que a quarta-feira pode fazer é devolver a palavra ao TSE antes de qualquer sessão do Supremo que Fachin não marcou. Se o plenário virtual confirmar Mendonça, a corte eleitoral fala com os posts fora do ar pela ordem que Fux restaurou, e a discussão que Dino abriu no STF perde parte do objeto. Se o plenário derrubar a liminar, a liberação deixa de depender do Supremo e volta a ser decisão da corte da eleição. O Valor registrou o temor, entre ministros, de que uma sessão presencial no STF repita o julgamento tenso de 15 de setembro. Outra ala, também ouvida pelo jornal, responde que o Supremo revê decisão de tribunal superior com frequência e cita cassações de 2022 revertidas monocraticamente. A eleição é domingo. O julgamento que vai dizer se a versão sobre a padroeira continua fora das redes começa às 10h, no tribunal que Mendonça integra e que Nunes Marques preside.