GIRÃO PEDE IMPEACHMENT DE NUNES MARQUES POR LIGAÇÃO DO FILHO COM O MASTER
O vice de Zema mira as mensagens de R$ 500 mil por mês citadas no celular de Vorcaro
Eduardo Girão, senador pelo Novo e candidato a vice na chapa de Romeu Zema, apresentou nesta terça-feira (29) um pedido de impeachment contra Kassio Nunes Marques, segundo o GC Mais e o Jangadeiro. Os dois veículos situam o protocolo na noite desta terça e ligam a peça às mensagens do caso Banco Master que citam Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro. O Jangadeiro informa que, num vídeo, Girão disse que o pedido se baseia “em tudo que veio à tona” e lembrou que votou contra a indicação de Nunes Marques ao Supremo. O GC Mais, às 19h41, registrou a apresentação da representação ao Senado. O número do protocolo ainda não apareceu na Agência Senado.
O fato que os dois textos usam como base está na reportagem do UOL de 15 de setembro. Mensagens apreendidas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, e trocadas com Luiz Rennó, então diretor jurídico do Master, mencionam pagamentos de R$ 500 mil por mês ao advogado Kevin Marques. Em outubro de 2024, Rennó encaminhou a Vorcaro uma planilha com o nome e o telefone do filho do ministro e a legenda “Dominado aqui”. Em julho de 2025, reenviou a planilha e perguntou: “Esse aqui — R$ 500 mil por mês — mantém?”. Kevin disse ao UOL que não prestou serviço ao Master e não recebeu dinheiro de Vorcaro. Informou que recebeu R$ 281,6 mil da Consult Inteligência Tributária, de agosto de 2024 a julho de 2025, por trabalho tributário administrativo, sem relação com o Supremo. O Estadão tinha mostrado que o Master repassou R$ 6,6 milhões à Consult no mesmo período, empresa que declarou faturamento de R$ 25,5 mil. Nunes Marques afirmou: “nunca votou a favor do Banco Master, e o filho nunca recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro”.
Há outro pedido, com autor e data públicos, cinco dias antes. Na quinta-feira (24), Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou impeachment contra o mesmo ministro por crime de responsabilidade. A peça, relatada pelo G1, pede a destituição e a inabilitação por oito anos. O centro é o julgamento da Destilaria Alcídia na Segunda Turma, em outubro de 2024, sobre indenizações do setor sucroalcooleiro. Nunes Marques chegou a ser registrado como impedido, o registro foi revertido como equívoco de assessoria, e o voto dele desempatou a favor dos credores, em placar de 3 a 2. Depois do julgamento, Rennó escreveu a Vorcaro “Ganhamos Alcídia” e mandou o contato de Kevin com a expressão “Dominado aqui”. A denúncia de Vieira diz que essa mensagem desmente a frase do ministro, em plenário, de que nunca julgou processo relacionado ao Master.
Girão entra nessa história antes de terça. Desde o fim de março ele é autor, com Vieira, do mandado de segurança que pede a abertura da CPI do Banco Master, distribuído a Nunes Marques. Em 8 de maio, no plenário do Senado, anunciou arguição de suspeição do ministro, citando a demora da relatoria e a relação dele com Ciro Nogueira, alvo da Operação Compliance Zero. A coluna de Malu Gaspar registrou que, passados 174 dias, o mandado seguia sem despacho. O pedido de impeachment, seja o de Vieira na quinta, seja o que GC Mais e Jangadeiro atribuem a Girão nesta terça, não afasta o ministro. Quem julga crime de responsabilidade de ministro do Supremo é o Senado, e a representação ainda precisa passar da mesa para o plenário. O que muda na reta final é o nome em cima da peça. O vice da chapa que Kassio, hoje mesmo, mandou colocar no debate da Globo é o senador que os dois veículos dizem ter pedido a cadeira dele.

