A mulher que apareceu sorrindo ao lado de Lula e Janja está presa, enquanto a Justiça Eleitoral limita a divulgação paga de um vídeo que relembra essa proximidade. Deolane Bezerra ganhou projeção como advogada criminalista e viúva do cantor MC Kevin, virou influenciadora, empresária e participante de A Fazenda. Na eleição de 2022, declarou apoio direto a Lula, chamou-se de fã do petista, gravou fotos e vídeos com Lula e Janja — inclusive o registro em que todos fazem o “L” — e participou da posse presidencial em 2023.

Deolane está presa preventivamente desde maio na Operação Vérnix e tornou-se ré por organização criminosa e lavagem de dinheiro. O Ministério Público sustenta que ela integraria o núcleo financeiro de um esquema ligado ao PCC, encarregado de ocultar e dissimular valores por meio de uma transportadora de fachada e de uma rede empresarial; a defesa afirma que os recursos têm origem em honorários advocatícios lícitos e nega envolvimento criminoso. Na revisão da custódia, o MP pediu que ela permaneça presa por risco de reiteração delitiva e ameaça à segurança pública. A Polícia Civil também encontrou, na casa de Everton “Player”, apontado como operador financeiro, uma máquina de contar dinheiro e uma caixa com cerca de R$ 50 mil marcada com o nome “Dra. Deolane” — não na residência da influenciadora, como chegou a circular.

O contraste político ficou inevitável. Flávio Bolsonaro usou imagens reais da aproximação para questionar Lula, mas o TSE decidiu por unanimidade que o PL não pode pagar para impulsionar o vídeo negativo nem material equivalente. A Corte não proibiu críticas, não determinou a remoção integral daquela peça e ainda não decidiu definitivamente se houve desinformação; restringiu a propaganda paga contra o adversário. Ainda assim, a fotografia que a decisão não apaga permanece diante do eleitor: Deolane esteve publicamente com Lula e Janja, enquanto hoje o Ministério Público a acusa de ocupar uma função financeira em estrutura associada à família de Marcola. Proximidade política não prova participação de Lula em crime, mas explica por que essas imagens se tornaram tão incômodas em plena campanha.