TSE barra Marçal de debates e fundos enquanto seu potencial eleitoral assusta adversários
Decisão unânime suspende campanha até julgamento do registro; força digital e 1,7 milhão de votos em São Paulo explicam impacto do candidato
Antes mesmo de decidir se Pablo Marçal poderá estar nas urnas, o TSE retirou dele as principais armas de uma campanha presidencial. Por unanimidade, a Corte proibiu o candidato do PRTB de acessar os fundos eleitoral e partidário, participar de debates, usar o horário gratuito no rádio e na televisão e realizar outros atos de propaganda. A medida é provisória e vale até o julgamento definitivo do registro, contestado pelo Ministério Público Eleitoral em razão da inelegibilidade de Marçal até 2032 e de dúvidas sobre sua filiação partidária.
O TSE sustenta que a restrição evita gastos públicos em uma candidatura que poderá ser juridicamente inviável. A defesa, por sua vez, ainda pode contestar a medida e tentar reverter as condenações. O ponto mais controverso está nos debates: impedir sua presença antes da decisão final sobre o registro reduz a exposição de um candidato sub judice e cria uma diferença concreta em relação aos adversários que já ocupam rádio, televisão e palcos eleitorais.
Marçal tem potencial explosivo porque já demonstrou capacidade de transformar atenção digital em votos: conquistou cerca de 1,7 milhão de eleitores e 28,14% dos votos válidos na disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2024, ficando próximo do segundo turno. Seu estilo confrontador produz cortes virais, mobiliza eleitores desconfiados da política tradicional e pode disputar diretamente parcelas da oposição hoje concentradas em Flávio Bolsonaro. É por isso que sua presença — ou sua retirada — não afeta apenas o PRTB: pode reorganizar a campanha, mudar o tom dos debates e interferir no caminho de Lula e da direita até o segundo turno.

