Donald Trump decidiu transformar as tarifas em arma de pressão — e agora prevê consequências devastadoras para quem desafiar Washington. Depois do fracasso das negociações, os Estados Unidos impuseram uma tarifa de 50% sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses. O governo americano advertiu que o Canadá sofrerá duramente, enquanto o primeiro-ministro Mark Carney anunciou retaliação equivalente a partir de 8 de setembro.

A ofensiva não termina na fronteira norte-americana. No caso brasileiro, sobretaxas acumuladas chegam a 37,5% sobre milhares de produtos e atingem aproximadamente US$ 12,4 bilhões em vendas aos Estados Unidos. Máquinas, calçados, madeira, têxteis e produtos químicos estão entre os setores pressionados, aprofundando uma guerra tarifária que mistura comércio, diplomacia e disputa de poder.

Mas a conta também pode voltar para os próprios Estados Unidos. Tarifas encarecem produtos importados quando o custo é repassado por empresas, enquanto a resposta canadense ameaça exportações americanas de aço, laticínios, eletrônicos e equipamentos agrícolas. Trump aposta que o tamanho do mercado dos EUA obrigará Canadá e Brasil a negociar; o risco é produzir inflação, incerteza para a indústria e perda de mercados externos antes que os adversários cedam.