LUIZA TRAJANO VOLTA A CRITICAR JUROS ALTOS E ALERTA PARA PEQUENAS EMPRESAS
Empresária afirma que política monetária restritiva prejudica especialmente pequenos e médios negócios; Banco Central sustenta cautela para conter a inflação.
A empresária Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza, voltou ao centro do debate econômico após uma publicação nas redes sociais recuperar suas críticas aos juros altos. Em entrevista concedida à CNN Money em 11 de março de 2026, Trajano afirmou que esperava havia um ano pelo início da redução da taxa básica e destacou que o custo elevado do crédito atinge especialmente pequenos e médios empresários. A declaração não deve ser tratada como necessariamente nova, pois a postagem pode ter reutilizado uma fala anterior.
EMPRESÁRIA DIZ QUE PEQUENOS NEGÓCIOS SOFREM MAIS
Na avaliação de Trajano, empresas de menor porte possuem menos alternativas de financiamento e menor capacidade de suportar longos períodos de crédito caro. Enquanto grandes companhias podem recorrer ao mercado de capitais e a diferentes instrumentos financeiros, pequenos negócios dependem mais diretamente dos bancos.
Juros elevados encarecem capital de giro, financiamento de estoque, expansão de lojas e parcelamento ao consumidor. No varejo, o efeito pode ser mais intenso porque boa parte das vendas de maior valor depende da disponibilidade de crédito.
A empresária já havia criticado, em 2025, a Selic de 15% ao ano. Na ocasião, também defendeu que a meta de inflação fosse elevada para 4%, proposta controversa entre economistas por poder reduzir o esforço imediato necessário para enquadrar os preços, mas também afetar a credibilidade da política monetária.
BANCO CENTRAL PROMOVEU QUATRO CORTES GRADUAIS
Desde o início do ciclo de redução, o Banco Central realizou quatro cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 15% para 14% ao ano. A redução confirma uma mudança de direção na política monetária, mas em ritmo considerado lento por setores empresariais.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, defende cautela. Segundo sua avaliação, a demanda continua acima da capacidade de oferta da economia, criando pressão sobre preços e exigindo uma condução gradual dos juros.
A autoridade monetária sustenta que a política restritiva busca reconduzir a inflação à meta e preservar o poder de compra da moeda. Uma redução acelerada, sem melhora consistente das expectativas e dos indicadores, poderia reabrir pressões inflacionárias e exigir nova elevação no futuro.
QUEDA DOS JUROS ENVOLVE DISPUTA SOBRE RISCOS E PRIORIDADES
Empresários defendem cortes mais rápidos para estimular consumo, investimento e geração de empregos. Economistas mais cautelosos alertam que juros menores, sem controle fiscal e sem equilíbrio entre oferta e demanda, podem elevar a inflação e anular parte dos ganhos esperados.
Nesse debate, o governo também possui responsabilidade relevante. A trajetória das despesas públicas, a credibilidade das metas fiscais e as expectativas sobre a dívida influenciam os juros cobrados no mercado. A Selic não depende apenas da decisão técnica do Banco Central, mas também do ambiente fiscal construído pelo Executivo e pelo Congresso.
Para uma análise conservadora, a redução sustentável dos juros exige controle de gastos, previsibilidade regulatória, produtividade e confiança nas contas públicas. Pressionar exclusivamente o Banco Central sem enfrentar essas questões pode gerar alívio temporário e custos maiores posteriormente.
FALA NÃO COMPROVA RELAÇÃO COM RESULTADOS DO MAGAZINE LUIZA
A posição de Trajano possui relevância por sua experiência no varejo e por sua atuação pública. Ainda assim, não há base suficiente para atribuir resultados específicos do Magazine Luiza exclusivamente ao nível da Selic.
O desempenho de uma empresa também depende de concorrência, endividamento, eficiência operacional, comércio eletrônico, renda dos consumidores e decisões internas. Os juros são um componente importante, mas não explicam isoladamente lucros, prejuízos ou variações no valor de mercado.
Com a Selic em 14%, a discussão deverá continuar. O setor produtivo pressionará por maior velocidade nos cortes, enquanto o Banco Central acompanhará inflação, atividade econômica, expectativas e situação fiscal antes das próximas decisões.

