Trump libera ofensiva cibernética que pode atingir PCC e CV
Novo programa permite que empresas americanas vigiadas pelo governo interrompam e até destruam sistemas digitais de organizações criminosas estrangeiras
Donald Trump abriu uma nova frente de guerra contra o crime organizado: empresas privadas americanas poderão participar de operações secretas capazes de invadir, manipular, interromper e até destruir sistemas digitais de organizações criminosas estrangeiras. O memorando assinado em 12 de agosto cria um programa federal de vigilância e de “efeitos cibernéticos”, transformando a capacidade tecnológica do setor privado em instrumento operacional dos Estados Unidos. PCC e Comando Vermelho não são citados nominalmente no documento, mas entraram na zona de risco depois de serem oficialmente classificados por Washington como Organizações Terroristas Estrangeiras e Terroristas Globais Especialmente Designados.
Não se trata de uma licença para empresas agirem por conta própria. Cada companhia terá de ser previamente avaliada, contratar com os departamentos de Justiça ou Segurança Interna e receber autorização escrita para cada operação. O governo poderá exigir garantia mínima de US$ 1 milhão, e toda ação ficará sob comando do National Coordination Center. As regras operacionais deverão ser concluídas em até 60 dias. O texto permite acesso não autorizado a redes para coleta silenciosa de inteligência e ações que causem negação, degradação ou destruição de sistemas e infraestrutura digital.
Para o Brasil, o alerta é direto. Como PCC e CV foram enquadrados pelos EUA e possuem redes associadas a tráfico e lavagem de dinheiro com reflexos em território americano, suas estruturas digitais poderão ser analisadas como possíveis alvos — desde que atendam aos critérios do programa. Isso não autoriza automaticamente uma incursão cibernética em solo brasileiro: Washington afirma que respeitará suas obrigações internacionais, e operações que possam causar mortes ou equivaler ao uso da força recebem tratamento excepcional. Mesmo assim, a mensagem é inequívoca: enquanto Brasília insiste no discurso de soberania, Trump constrói capacidade concreta para alcançar o Estado paralelo do crime onde ele guardar servidores, dinheiro e informações.

