O recado mais contundente não veio de Washington, mas de dentro do próprio campo conservador: o problema Alexandre de Moraes deveria ser enfrentado pelo Senado brasileiro, e não terceirizado a Donald Trump. Em entrevista ao Correio da Manhã, Silas Malafaia afirmou que uma nova ofensiva americana dificilmente mudaria a atuação do ministro e classificou como vergonhosa a dependência de uma potência estrangeira para reagir a decisões que, em sua avaliação, violam liberdades e a Constituição. A crítica atinge diretamente a cúpula do Senado, acusada pelo pastor de manter uma postura subserviente diante do STF.

Juridicamente, Malafaia aponta para a instituição correta: o artigo 52 da Constituição entrega ao Senado a competência para processar e julgar ministros do Supremo por crimes de responsabilidade. Isso, porém, exige abertura formal do processo, direito de defesa e voto de dois terços da Casa; uma denúncia, sozinha, não afasta ministro algum. Enquanto o Senado permanece imóvel, o Financial Times informou que o governo Trump discute novas sanções contra Moraes, mas não há medida oficialmente anunciada. Mesmo uma punição americana poderia restringir bens, transações ou entrada nos Estados Unidos, sem retirar Moraes do STF. A conclusão é incômoda: pressão estrangeira pode impor custos, mas somente as instituições brasileiras podem decidir o futuro de um ministro da Corte.