Na coluna publicada nesta segunda-feira, 12, no Metrópoles, Mario Sabino escreve que o país não deve se deixar levar por balões de ensaio lançados na imprensa para tentar contornar o impeachment de ministros do STF, em especial de Alexandre de Moraes. O colunista afirma que o tribunal extravasou o leito constitucional e que a ação exemplar a ser empreendida com urgência é tirar Moraes da Corte, porque ele concentra os aspectos mais deletérios de uma corte abusiva. A permanência de Moraes, escreve, é neste momento mais danosa do que a de outros ministros, o que não significa atestado de impunidade aos demais.

Sabino rejeita a ideia de substituir o impeachment do interlocutor de Daniel Vorcaro por iniciativas reformistas do Judiciário. As duas coisas, diz, não são excludentes: são complementares. Também considera impensável trocar a anistia a Jair Bolsonaro e aos implicados no 8 de Janeiro pela impunidade do ministro. Para o colunista, além da ilegitimidade desse escambo, a liberdade do ex-presidente e de partidários seus é prioridade de bolsonaristas, não da maior parte dos que decidiram votar na oposição a Lula.

O texto ainda rebate o argumento de que, se Flávio Bolsonaro for eleito, abrir o processo de impeachment de Moraes prejudicaria o encaminhamento de pautas econômicas fundamentais. Sabino chama isso de vento: um governo com bancada forte teria condições de implementá-las, e o STF não pode continuar com agenda de chantagem contra o Legislativo, inclusive nos processos contra deputados e senadores. Brasília, escreve, gosta de passar a ideia de que é irresponsabilidade fazer a coisa certa. Irresponsável, conclui, é trair a vontade dos milhões de eleitores que votaram em senadores que prometeram não medir esforços para retirar do STF um ministro que ultrapassou todos os limites éticos. O texto é de opinião e não reflete necessariamente a posição do Metrópoles.