Renan Santos, candidato do partido Missão à Presidência da República, afirmou neste sábado (1º de agosto) que um eventual governo seu adotará tolerância zero contra a criminalidade e declarou: “ninguém vai roubar nada que é teu, porque nós vamos matar quem roubar”. A fala ocorreu durante o 1º Congresso Nacional do partido, realizado no Komplexo Tempo, na Zona Leste de São Paulo, ato que oficializou publicamente sua candidatura.

DISCURSO COLOCA SEGURANÇA COMO BANDEIRA CENTRAL

No palco, Renan criticou o que classificou como políticas de “esmola”. Disse que o vale-gás do governo Lula e a promessa de celular de Flávio Bolsonaro representam o penhoramento do futuro dos brasileiros. Afirmou que seu governo não distribuirá benefícios desse tipo: “Eu não vou dar gás nem celular para ninguém. Vocês vão comprar seu celular, vocês vão comprar sua casa, vocês vão comprar seu carro. E ninguém vai roubar nada que é teu, porque nós vamos matar quem roubar”.

O empresário e fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) já vinha defendendo a linha de “tolerância zero”. Em entrevistas após o evento, relativizou a frase dizendo que o foco é combater a impunidade e garantir o direito de legítima defesa das forças policiais. Classificou o cenário atual de segurança como uma “guerra” e afirmou que quem enfrentar a polícia de forma armada encontrará resposta proporcional.

PARTIDO MISSÃO OFICIALIZA CANDIDATURA E APRESENTA METAS

O Missão, criado por integrantes do MBL e registrado pelo TSE em novembro de 2025, havia antecipado a convenção oficial para 20 de julho, em formato virtual, para que Renan pudesse solicitar proteção da Polícia Federal. O candidato alega ameaças de facções criminosas. O vice da chapa é o tenente-coronel da reserva Aroldo Medina.

Durante o congresso, Renan apresentou metas, entre elas reduzir o número de homicídios para menos de 10 mil por ano. O partido lançou também o “Livro Amarelo”, documento com propostas de governo, e indicou candidatos a governador em nove estados. A legenda se posiciona como alternativa de direita, critica tanto o PT quanto o bolsonarismo tradicional e rejeita o rótulo de “terceira via”.

CONTEXTO DA DECLARAÇÃO E REPERCUSSÃO

A frase sobre “matar quem roubar” ecoa o discurso duro de combate ao crime que Renan tem adotado, com referências a modelos de endurecimento penal. A Constituição brasileira proíbe a pena de morte para crimes comuns. Em coletiva, o candidato enfatizou o uso legítimo da força policial e o combate à impunidade como prioridade.

O evento ocorreu em clima de mobilização, com ingressos de valores variados e apresentação de programa. Renan atacou diretamente Lula, a quem chamou de “vagabundo”, e Flávio Bolsonaro, descrito como “farsante, fraco e corrompido”. A segurança pública e a rejeição ao assistencialismo foram colocadas no centro da plataforma eleitoral do Missão.