A Polícia Federal tentou impedir que a nova investigação envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, fosse distribuída automaticamente ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. A informação foi confirmada por reportagens de veículos como O Globo e Estadão, com base em fontes do entorno do magistrado e bastidores do STF.

PEDIDO DE LIVRE DISTRIBUIÇÃO

Ao solicitar a abertura do inquérito, em 24 de julho, a PF sustentou que a apuração sobre suspeitas de tráfico de influência e corrupção — relacionadas a articulações com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, no Ministério da Saúde e no gabinete da Presidência — tratava de fatos distintos daqueles investigados na Operação Sem Desconto, sobre fraudes em descontos de aposentados do INSS.

Por esse motivo, a corporação defendeu que o caso não fosse encaminhado por prevenção a Mendonça, que já é relator das investigações do INSS e havia autorizado quebras de sigilo de Lulinha no início do ano.

PGR CONCORDOU E SORTEIO MANTEVE MENDONÇA

A Procuradoria-Geral da República acompanhou o entendimento da PF e se manifestou pela livre distribuição do procedimento, ou seja, por sorteio entre os ministros do STF.

Durante o recesso do Judiciário, o ministro Alexandre de Moraes, então na presidência em exercício, determinou a distribuição por sorteio eletrônico. O sistema, no entanto, sorteou novamente André Mendonça. O magistrado então autorizou a abertura do inquérito na quinta-feira (30).

TENSÃO ENTRE PF E O MINISTRO

O episódio ocorre em meio a um desgaste entre a Polícia Federal e o gabinete de Mendonça. O ministro havia cobrado celeridade e transparência nas apurações relacionadas a Lulinha no âmbito do INSS, o que gerou mal-estar na corporação. A PF chegou a acionar a Advocacia-Geral da União questionando decisões do ministro vistas como interferência em sua autonomia.

A tentativa de retirar o caso das mãos de Mendonça acabou frustrada pelo sorteio, e o ministro permanece como relator da nova investigação.