O deputado que se tornou uma das vozes mais agressivas do PT contra seus adversários agora terá de acompanhar uma investigação milionária no Supremo. Um inquérito sobre o suposto pagamento de R$ 3 milhões não declarados à campanha de Lindbergh Farias ao governo do Rio, em 2014, foi remetido ao STF em agosto. A suspeita nasceu da delação de Marco Antônio Guimarães Duarte de Almeida, segundo quem o empresário Miguel Iskin teria entregado dinheiro em espécie, por intermédio de um assessor conhecido como “Cacá”, em troca da expectativa de condições favoráveis em contratos futuros com o Estado.

O caso tramita desde 2023 e chegou à Suprema Corte porque a Justiça Eleitoral relacionou os fatos ao período em que Lindbergh exercia mandato de senador. O Ministério Público Eleitoral ainda pediu diligências, incluindo quebra de sigilos e consulta ao Coaf, enquanto a Polícia Federal sugeriu novas oitivas. Isso significa que a apuração continua aberta, mas não existe denúncia recebida ou condenação contra o deputado nesse episódio.

A acusação é grave, porém ainda enfrenta lacunas importantes. O delator admitiu não conhecer Lindbergh pessoalmente; Miguel Iskin negou o repasse; e a defesa afirma que uma análise da PF sobre aproximadamente 2,8 mil páginas da prestação de contas não encontrou falsidade eleitoral nem entrada de recursos ilícitos. Lindbergh diz que o envio do caso ao STF às vésperas da eleição causa estranheza. Agora, caberá às diligências separar uma denúncia sem confirmação de um eventual caixa dois — e aplicar ao líder petista a mesma transparência e o mesmo rigor que ele exige diariamente contra seus opositores.