O PT tenta apagar o passado de Roberta Luchsinger, empresária e ex-candidata a deputada estadual por São Paulo pelo próprio partido em 2018. Ela obteve 14.134 votos e terminou como suplente. Um ano antes, em 2017, ganhou destaque na Folha de S.Paulo e em outros veículos ao anunciar a doação de cerca de R$ 500 mil em dinheiro e bens de luxo a Lula, bloqueado pela Lava Jato. O lote incluía um cheque de 28 mil francos suíços, um Rolex de R$ 140 mil, um anel de diamantes, vestido Dolce & Gabbana e bolsa Chanel. A Justiça impediu o repasse, batizado de “Bolsa Lula”.

Agora Lula a chama de “pilantra” na Globo e afirma que o caso é da Polícia Federal. Em entrevista à CNN no último sábado, Luchsinger rebateu, disse que o presidente mente e revelou que o filho dele, Lulinha, se reuniu inúmeras vezes com ministros do governo, inclusive viajando à casa de Camilo Santana no Ceará. Ela afirma ter documentação sobre os negócios e a vida do rapaz na Europa e pretende colaborar com a Justiça. Lula negou conhecê-la, mas fotos e vídeos antigos mostram os dois juntos em eventos de campanha.

A amnésia coletiva do PT ignora que a mesma mulher que se apresentou como herdeira de ex-acionista do Credit Suisse, filiou-se ao partido em 2018 e circulou com caciques petistas, agora expõe contradições sobre Lulinha e o entorno do governo. O caso reforça o contraste entre o discurso de Lula e o histórico de relações próximas que o partido prefere esquecer a poucos dias do segundo turno.