O presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro, voltou a defender a candidatura de Romeu Zema à Presidência com a frase que o Reel espalhou: se o mineiro “criar uma onda”, tem chance real de crescer. Não é um número novo. É a mesma tese que Ribeiro repete desde junho — Zema não será vice (“chance zero”), a massa ainda não está ligada na eleição, e o que funcionou em Minas em 2018 pode se repetir quando o cardápio abrir. Zema ecoou o argumento nesta quarta (2), ao Valor, depois da Quaest: “Se dependesse de pesquisa, em 2018 eu nunca teria sido eleito.”

O que a pesquisa registra agora é outro quadro. A Quaest de 2 de setembro deu a Zema 1% — um ponto abaixo da rodada de 14 de agosto. Lula lidera com 37%, Flávio Bolsonaro tem 30%, Augusto Cury 10%. Datafolha de julho o deixou em 3%, empatado com nanicos. A Veja descreveu a campanha como errática e lembrou que, em Minas, o próprio Zema aparece atrás de Lula e de Flávio. O Novo precisa da chapa presidencial também para a cláusula de barreira: Ribeiro já falou em saltar de cinco para 15 ou 20 deputados e em cerca de R$ 80 milhões de fundo, boa parte para Zema.

Ribeiro tem razão num ponto factual: Zema governou Minas dois mandatos pelo Novo, saiu com aprovação acima da rejeição e foi oficializado por aclamação em 27 de julho, ainda sem vice. A “onda” que o presidente do partido pede não aparece nas séries. É hipótese de campanha — o eleitor ainda não degustou o cardápio, como diz o candidato. Quem precisa responder não é só o Novo. É o próprio Zema, que criticou quem “anda com bandido” no caso Vorcaro e, ao mesmo tempo, disputa o mesmo eleitor de Flávio sem furar o teto de 3%.