Lula recebe DiCaprio no Planalto no dia em que o Hulk responde por antissemitismo
O encontro em Brasília foi oficialmente sobre clima e TFFF. Nos EUA, a Paramount acusou Mark Ruffalo de tropo antissemita na fusão com a Warner. São duas pautas, no mesmo recorte de Hollywood.
Na quarta (2), Lula e Janja receberam Leonardo DiCaprio no Palácio do Planalto por cerca de 40 minutos. Estavam Capobianco (Meio Ambiente), Margareth Menezes (Cultura), Eloy Terena (Povos Indígenas) e o CEO da Re:wild, Wes Sechrest. Lula postou a foto e o roteiro: matriz energética “mais limpa do mundo”, 32% de etanol e 15% de biodiesel, Fundo Florestas para Sempre, queda do desmatamento. DiCaprio falou dos 25 anos no Xingu, da amizade com Raoni e da ONG em terras indígenas. No sábado, o ator já tinha estado no Mato Grosso com o cacique. Ganhou fotos de Raoni feitas por Ricardo Stuckert. A pauta oficial é clima. O Reel chama DiCaprio de ativista de esquerda — o currículo público é esse: fundação própria desde os anos 1990, Re:wild desde 2021, e o encontro de 2019 em que Bolsonaro o acusou, sem prova, de financiar queimadas.
No mesmo ciclo de notícias, Mark Ruffalo — o Hulk da Marvel — responde nos Estados Unidos à acusação de antissemitismo. Em 21 de agosto, criticou a fusão de US$ 111 bilhões entre Paramount Skydance e Warner Bros. Discovery, ligou a família Ellison (Oracle/Paramount) ao esforço militar de Israel em Gaza e falou em “genocídio” e “apartheid” “powered by Oracle”. A Paramount disse que ele invocou “tropos antissemitas”. Ruffalo respondeu: a acusação é “atroz e fundamentalmente desonesta”; criticar primeiro-ministro, contrato militar ou executivo não é criticar judeus. Nesta semana, mais de 180 figuras judias — Joaquin Phoenix, Jonathan Glazer, Joel Coen, Tony Kushner, Hannah Einbinder — assinaram carta contra a “campanha de difamação”. Do outro lado, o Simon Wiesenthal Center e o grupo The Brigade (Haim Saban, Lawrence Bender) classificaram a fala como antissemitismo puro: judeus pintados como elite secreta que se deleita com a morte.
Não há processo criminal contra Ruffalo. Não há DiCaprio no inquérito do Master. O que o Reel junta é recorte político: o Planalto abre a sala para o ativismo ambiental de Hollywood no dia em que outro astro da mesma indústria é cobrado, nos EUA, por misturar fusão societária com Gaza. Lula precisa responder se o encontro foi só TFFF ou palco eleitoral. Ruffalo precisa responder se “Oracle + Ellison + genocídio” descreve contrato ou recai no tropo que a Paramount nomeou. As duas cartas — a dos 180 e a do Brigade — estão publicadas. O aperto de mão no Planalto, também.

