A Polícia Federal deflagrou na terça-feira (15), em Sorocaba, a Operação Numerata. Três mandados do 15º Juízo das Garantias da Justiça Eleitoral de São Paulo levaram os agentes à sede do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região. Lá apreenderam R$ 754.258 em espécie. O comunicado da PF descreve saques reiterados apontados pelo sistema de prevenção à lavagem e provisionamentos que somaram R$ 1 milhão no período eleitoral de 2026. Pessoas da administração financeira da entidade retiravam o dinheiro. A corporação investiga origem, circulação e destino — e se o valor circulou fora da lei eleitoral.

Nesta quarta (16), em Belém, a mesma polícia prendeu em flagrante duas pessoas que saíram de uma agência com R$ 2,5 milhões em cédulas. O Metrópoles, na coluna de Mirelle Pinheiro, registrou o detalhe: carro blindado e o montante dentro de uma caixa de papelão. A PF afirma que o dinheiro viria de desvio de recurso público e iria para financiamento irregular de campanha. A CGU rastreou a conta. Além das notas, uma arma. Os dois presos foram à Justiça Eleitoral do Pará por lavagem, peculato, associação, corrupção eleitoral, porte ilegal e resistência. A coluna e o UOL escreveram que a apuração mira dois políticos — um vereador candidato a estadual e um estadual candidato a federal. Nenhum dos dois estava no carro. Nomes não foram divulgados.

Em 24 horas, mais de R$ 3 milhões em papel saíram de sindicato e de banco rumo à campanha. Não é tese de rede. É mandado, flagrante e caixa de papelão. A Numerata ainda esclarece se o metalúrgico de Sorocaba virou caixa dois. O Pará já fala em peculato e compra de voto. A 18 dias da urna, o dinheiro vivo reaparece no endereço clássico — entidade de trabalhador e agência com escolta blindada. A PF não fechou partido. Fechou o volume. Quem usava a cédula vai ter de explicar à Justiça Eleitoral por que a campanha precisava de tanto papel fora do fundo.