O decano do Supremo, Gilmar Mendes, articula no Senado uma Proposta de Emenda à Constituição para elevar de 75 para 80 anos a aposentadoria compulsória dos ministros. A Revista Oeste publicou nesta quarta (16) que o magistrado conversa com senadores e pretende apresentar a tese na legislatura que começa em fevereiro de 2027. Nos corredores o texto já se chama “PEC do Andador” — sucessor da PEC da Bengala, que em 2015 subiu o teto de 70 para 75. Gilmar nasceu em 30 de dezembro de 1955. Pelas regras atuais, sai no fim de 2030. Com 80 anos, permanece até dezembro de 2035.

A conta não é só dele. Luiz Fux completa 75 em abril de 2028. Cármen Lúcia, em abril de 2029. O Estadão escreveu na terça que o presidente eleito neste ano indicaria os três substitutos no mandato 2027-2030 — quase um terço da Corte — além da cadeira de Luís Roberto Barroso, vazia desde outubro de 2025. Se a PEC alcançar os atuais, Fux iria a 2033 e Cármen a 2034. A próxima compulsória depois desse bloco seria a de Edson Fachin, em 2033. A proposta ainda não foi protocolada. Precisa de três quintos em duas votações em cada Casa.

O próximo presidente, seja Flávio ou Lula, herdaria três togas por idade. A PEC do Andador tira essas togas do calendário. Gilmar ganha cinco anos. Fux e Cármen também. O Senado que toma posse em fevereiro é o mesmo que decide se o eleito de outubro nomeia um terço do Supremo ou herda a Corte trancada até a década seguinte. Em 2015 a Bengala passou para adiar Dilma. O Andador, se andar, adia o voto de 2026. A Oeste ouviu a articulação. O texto ainda não chegou à mesa. O efeito, se chegar, está na idade de três ministros e na agenda de quem ganhar em outubro.