PDVSA fatura US$ 18,7 bilhões em nove meses após queda de Maduro
A estatal petrolífera venezuelana PDVSA faturou mais de US$ 18,7 bilhões em exportações entre janeiro e setembro de 2026, um aumento de cerca de 60% em relação ao mesmo período do ano anterior. As vendas externas superaram 1 milhão de barris por dia e o petróleo venezuelano (Merey) chegou perto de US$ 93 o barril, o melhor nível em mais de uma década.
O número chega após a queda de Nicolás Maduro em 3 de janeiro de 2026, em operação militar dos Estados Unidos sob Donald Trump. Delcy Rodríguez assumiu como presidente interina e o país firmou acordos petrolíferos com Washington que dão aos EUA influência significativa sobre parte das reservas e das receitas. O dinheiro das vendas passa primeiro por um fundo controlado pelo Tesouro americano antes de chegar à PDVSA.
O crescimento veio de maior volume exportado (cerca de 26%) e de preços mais altos. Parte do faturamento, estimada entre US$ 1,8 e 2 bilhões, é consumida com a importação de diluentes dos EUA, necessários para processar o petróleo pesado da Faixa do Orinoco. O controle americano sobre o fluxo de caixa atrasa e limita o que efetivamente entra na tesouraria venezuelana.
A produção está em torno de 1,1 a 1,2 milhão de barris por dia — bem acima do fundo do poço do período Maduro, mas ainda longe dos 3 milhões de décadas atrás. Recuperar a capacidade plena exige dezenas ou centenas de bilhões de dólares em investimento e anos de trabalho. A Venezuela saiu do colapso mais agudo, com alguma recuperação impulsionada pelo petróleo e alívio parcial de sanções, mas a população continua sem ver melhora clara no dia a dia.
O resultado mostra que a queda de Maduro e a intervenção americana abriram espaço para o petróleo voltar a gerar receita significativa. Ao mesmo tempo, o controle americano sobre os fundos e os acordos de longo prazo limitam a soberania energética. O país fatura mais, mas ainda depende de Washington para acessar o dinheiro e de investimentos estrangeiros massivos para reconstruir a indústria.

