A Rússia adotou uma das legislações mais rígidas do mundo sobre mudança de gênero. Desde 2023, uma lei assinada pelo presidente Vladimir Putin proíbe procedimentos médicos para transição de gênero e impede o reconhecimento legal da mudança de sexo nos documentos oficiais.

A legislação também restringe a adoção de crianças por pessoas que tenham passado por mudança legal de gênero. Não é possível adotar nem assumir a guarda de menores nesses casos. O governo russo apresenta as regras como parte da política de proteção dos valores tradicionais do país.

A medida foi sancionada em 24 de julho de 2023 e integra um conjunto de ações do governo Putin relacionadas à defesa da família e dos costumes. Enquanto organizações de direitos humanos criticam a lei como discriminatória, o Kremlin sustenta que a decisão protege crianças e a identidade biológica da população.

O contraste com o Ocidente é evidente. Enquanto vários países europeus e os Estados Unidos avançam com políticas de identidade de gênero nas escolas, nos esportes e na documentação oficial, a Rússia trava limites claros. A posição de Putin reforça a linha de países que recusam a agenda progressista sobre o tema.

No Brasil, o debate sobre o mesmo assunto continua polarizado. Leis e decisões judiciais têm ampliado o reconhecimento de identidade de gênero, incluindo em documentos e em disputas esportivas. O exemplo russo serve de referência para quem defende que a proteção da infância e a definição biológica devem prevalecer sobre mudanças irreversíveis em menores.