A derrota dos republicanos nas eleições legislativas de terça-feira (3) reacendeu o debate sobre a sucessão de Donald Trump e colocou o secretário de Estado Marco Rubio no centro das especulações para 2028. Enquanto o vice-presidente JD Vance tenta se firmar como herdeiro natural, Rubio surge com números melhores e capital político reforçado pela operação na Venezuela.

Uma pesquisa da AtlasIntel divulgada antes da votação deu a Rubio 45,6% das preferências entre eleitores republicanos para a próxima eleição presidencial, contra 32,9% de Vance. Outro levantamento mostrou Rubio com 40% de avaliações positivas e 44% negativas, desempenho superior ao de outros nomes do primeiro escalão. Vance, por sua vez, enfrenta 55% de desaprovação em pesquisa Economist/YouGov feita entre 23 e 26 de outubro.

Rubio ampliou suas funções desde o início do segundo mandato de Trump. Além do Departamento de Estado, assumiu a assessoria de Segurança Nacional e outras responsabilidades na Casa Branca. A concentração de poder mostra a confiança do presidente no antigo rival das primárias de 2016 e aumenta a exposição de Rubio nas decisões de política externa.

A operação americana na Venezuela, que resultou na prisão de Nicolás Maduro, também fortalece a posição de Rubio. O secretário vinculou parte de seu capital político ao processo de transição no país e obteve resultado. Ele defende uma linha mais intervencionista no exterior, o que o diferencia de setores do movimento MAGA mais inclinados à contenção, linha associada a Vance.

O resultado das midterms também colocou em xeque as escolhas eleitorais de Trump. Candidatos apoiados por ele perderam disputas importantes, inclusive no Texas e na Carolina do Norte. Relatos da Reuters apontam que as intervenções do presidente nas candidaturas geraram divisões internas e podem ter custado cadeiras que o partido poderia ter preservado.

Em um cenário de desgaste pós-eleição, o nome de Rubio ganha espaço como alternativa dentro da própria base republicana. Sua experiência no Senado, presença internacional e capacidade de dialogar com diferentes alas do partido são ativos em um momento de reorganização da direita americana. A disputa por 2028 começa agora, com Rubio em posição mais confortável do que a de Vance.