PCO culpa Mossad por operação, mas admite não ter prova: entenda o cerco a Rui Pimenta
Partido abertamente favorável ao Hamas atribui ofensiva judicial a Israel, enquanto investigação aponta suspeitas sobre verbas eleitorais
O PCO declarou apoio “1000%” ao Hamas e agora diz estar na mira do serviço secreto de Israel. Rui Costa Pimenta afirmou ter recebido a informação de que a operação contra o partido teria sido orientada pelo Mossad, mas reconheceu que não conseguiu verificar a denúncia. O Mossad é a agência de inteligência externa de Israel, responsável por coleta clandestina de informações, contraterrorismo e operações especiais fora do país. Sua capacidade internacional é real; o suposto comando sobre a Polícia Federal ou a Justiça Eleitoral brasileira, porém, não tem até agora documento, confirmação oficial ou evidência pública.
O temor do PCO não surgiu do nada: o partido e seus dirigentes defendem abertamente o Hamas. Rui já declarou que faria o mesmo que o grupo realizou em 7 de outubro de 2023, enquanto seu candidato a vice afirmou estar “1000%” com a organização. Isso cria um motivo político para a desconfiança contra Israel, mas não prova interferência do Mossad. A causa formal da Operação Causa Própria é outra: relatórios financeiros e prestações de contas levantaram suspeitas de apropriação indébita eleitoral, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, com pagamentos a empresas e pessoas que, segundo a investigação, poderiam não ter capacidade operacional compatível. A Justiça bloqueou até R$ 4,5 milhões e afastou Rui da presidência partidária por 180 dias; o PCO afirma que os serviços foram prestados e denuncia perseguição.
O episódio é o capítulo mais recente de uma guerra antiga do PCO contra o Judiciário. Em 2022, Alexandre de Moraes incluiu a legenda no inquérito das fake news e bloqueou suas contas após publicações que defendiam a dissolução do STF e atacavam ministros; o Plenário manteve a ordem, com divergência de Nunes Marques. Agora, contudo, o afastamento de Rui partiu da Justiça Eleitoral e investiga dinheiro público, não apoio ao Hamas. O partido pode ter razões para temer a força política e operacional de Israel, mas, sem prova do elo com o Mossad, sua acusação funciona mais como reação desesperada ao avanço da investigação do que como denúncia demonstrada.

