Antes de aparecer nos relatórios da Polícia Federal, Roberta Luchsinger já circulava na história de Lula. Herdeira de uma família ligada ao antigo Credit Suisse, ela ganhou projeção em 2017 ao oferecer dinheiro e objetos de luxo para ajudar o petista, que havia tido bens bloqueados pela Lava Jato. No ano seguinte, disputou uma vaga de deputada estadual pelo PT. Com o tempo, a militância pública se transformou em proximidade familiar: Roberta tornou-se amiga íntima de Fábio Luís Lula da Silva, viajou com Lulinha e sua família e passou a frequentar ambientes do governo.

O enredo ficou mais grave quando mensagens obtidas pela PF, reveladas pela Veja, atribuíram a Roberta uma afirmação explosiva: Lula teria perguntado onde ela queria trabalhar no governo. A resposta, segundo os diálogos, foi que preferia continuar onde estava — em sua sociedade com Lulinha e Fernando Bittar. Em outras conversas, ela teria dito que os três eram “uma coisa só”, que cuidava das finanças de Fábio e que o filho do presidente só entrava em campo quando necessário para se preservar. A PF afirma ter identificado um núcleo permanente de interlocução de interesses privados perante órgãos federais, especialmente em tratativas envolvendo cannabis medicinal; nenhum contrato, porém, chegou a ser firmado.

É essa passagem da amizade política para uma possível engrenagem de influência que chama tanta atenção. Não se trata apenas de conhecer o presidente ou seu filho, mas da suspeita de que essa proximidade pudesse abrir portas no Ministério da Saúde e no Palácio do Planalto. Lula não é investigado e afirma que o filho deverá responder se tiver cometido irregularidades; a defesa de Lulinha nega qualquer atuação em negócios com o governo, e Roberta sustenta que está sendo criminalizada por uma amizade. Ainda assim, a contradição permanece no centro do caso: enquanto Lula diz não conhecê-la, mensagens atribuídas à lobista relatam oferta de cargo e acesso direto ao núcleo presidencial.