Quando a PGR pediu que o caso Lulinha deixasse o STF, a saída parecia abrir uma rota de alívio. A reviravolta veio de André Mendonça. O procurador-geral Paulo Gonet sustenta que Fábio Luís Lula da Silva não tem foro privilegiado e que não há, até agora, autoridade com essa prerrogativa entre os investigados. A defesa do filho de Lula apoia a remessa à primeira instância. Mendonça, porém, sinaliza que pode rejeitar o pedido porque mensagens reunidas no inquérito mencionam autoridades com foro — e é o próprio ministro quem decide inicialmente se o processo fica ou desce.

É aí que nasce o temor político. Mendonça conduz dois dos três inquéritos que alcançam Lulinha e autorizou medidas que revelaram mensagens de Roberta Luchsinger, tratativas envolvendo cannabis medicinal e a suspeita de interlocução de interesses privados dentro do governo. A PF descreve uma possível atuação coordenada entre Roberta, Lulinha e Fernando Bittar; a defesa nega tráfico de influência e afirma que os vazamentos são seletivos. Manter o caso no STF não significa condenação, mas preserva nas mãos de Mendonça o controle sobre diligências que podem chegar a pessoas do alto escalão.

Por isso, o pedido da PGR virou o centro de uma disputa que ultrapassa o debate técnico sobre foro. Não há prova pública de que Lula tenha articulado a manifestação do órgão, mas a mudança interessa claramente à defesa de seu filho e afastaria Mendonça da condução direta. Se o ministro mantiver o inquérito, o caso continuará avançando a poucos metros do Palácio do Planalto e em plena campanha eleitoral. Lula diz que Fábio deverá pagar se tiver cometido irregularidades; politicamente, porém, cada nova mensagem transforma o sobrenome presidencial no maior risco da tentativa de reeleição.