A revista de fim de semana do Financial Times saiu neste sábado (26) com a família Bolsonaro na capa. O título é “Escândalo e sucessão na família Bolsonaro”. O texto é de Michael Pooler, chefe da sucursal do jornal no Brasil. A caricatura imita a série Succession: Flávio no centro, Jair e Michelle ao lado, Carlos e Eduardo atrás. A tese do jornal, no relato do UOL, é que, se Flávio vencer em 4 de outubro, “a Casa de Bolsonaro será consolidada como uma dinastia política, em vez de uma anomalia isolada”. O FT escreve que os integrantes oscilam entre “o conservadorismo e o caos”, chama o grupo de radical e disfuncional e diz que “praticam um estilo paranoico de política”. Compara a família à de Trump: “o superficial e o sinistro, a fusão de celebridade, redes sociais e a busca pelo poder”.

Pooler trata Jair de “demagogo de extrema direita” e de porta-estandarte do bolsonarismo. A BBC, ao repercutir a reportagem, destaca Michelle como a “arma secreta” citada pelo jornal, candidata ao Senado pelo Distrito Federal, e lembra o áudio de maio em que Flávio pede dinheiro a Daniel Vorcaro. O FT estima o rombo do Banco Master em cerca de US$ 10 bilhões e descreve Flávio como político profissional desde os 21 anos. A pergunta que o próprio texto deixa é esta: “Será que a primeira família do radicalismo de direita no Brasil está à beira de um retorno?” Paulo Mathias publicou a capa no mesmo sábado.

Sete dias antes da urna, o jornal de economia mais citado da Europa vestiu os Bolsonaro com o figurino de uma série sobre herança e briga de filhos. A caricatura é deles. O calendário é o de 4 de outubro. A pergunta que o Financial Times imprimiu na capa já não é se a família existe. É se ela volta.