Uma nova onda de ciberataques atingiu supermercados em pelo menos 11 países europeus, elevando remotamente a temperatura de geladeiras e freezers para até 50 °C e forçando o descarte de toneladas de alimentos. Os incidentes ocorreram principalmente na segunda-feira (2) e se estenderam a Alemanha, Romênia e Reino Unido na terça, após um ataque semelhante ter atingido cerca de 700 lojas na França em meados de outubro.

Países afetados incluem Bélgica, Suécia, Luxemburgo, Países Baixos, Irlanda, Estônia, Finlândia, Itália, Portugal, Alemanha e Romênia, além de relatos no Reino Unido. Redes como Delhaize, Carrefour, Spar, ICA, Coop, SuperValu e Intermarché reportaram falhas. Na Bélgica, dezenas de lojas foram atingidas; na Suécia, a ICA teve dezenas de unidades afetadas. O Comissário europeu de Agricultura e Alimentação, Christophe Hansen, classificou os ataques como “uma tentativa deliberada de interromper a cadeia de suprimentos de alimentos”.

Os invasores exploraram controladores de refrigeração (especialmente da fabricante dinamarquesa Danfoss) conectados à internet, muitas vezes com credenciais padrão de fábrica, e ativaram o modo de descongelamento ou elevaram as temperaturas. Não houve pedido de resgate, o que diferencia o caso de ataques de ransomware convencionais e aponta para sabotagem.

Especialistas em cibersegurança levantam a hipótese de atores ligados à Rússia no contexto de guerra híbrida, citando padrões de infraestrutura e o impacto psicológico de prateleiras vazias. Xavier Bellekens, CEO da Lupovis, afirmou que a atividade pode ser atribuída a ator estatal russo. Por outro lado, o diretor de cibersegurança da Romênia, Dan Cimpean, disse que não suspeita de ator estatal e classificou o ataque como semi-amador. Nenhuma responsabilidade foi reivindicada até o momento.

A União Europeia anunciou que avaliará a preparação das redes de varejo. Os supermercados estão atualizando sistemas, desconectando equipamentos da internet e migrando para conexões mais seguras. O episódio expõe a vulnerabilidade da cadeia alimentar europeia a ataques cibernéticos de baixo custo e alto impacto, em um momento de tensões de segurança no continente.