Nas eleições de meio de mandato dos EUA, de toda forma Lula sai perdendo
Uma derrota de Donald Trump nas eleições de meio de mandato desta terça-feira pode parecer, à primeira vista, uma boa notícia para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Uma vitória democrata na Câmara dos Representantes reduziria o espaço político do republicano e aumentaria a fiscalização de seu governo. Mas o resultado também pode criar dificuldades extras para o Brasil.
Com menos margem para avançar em sua agenda doméstica, Trump tende a concentrar esforços nas áreas em que mantém maior autonomia, especialmente comércio internacional e política externa. Nesse cenário, o presidente americano passaria a priorizar ações externas, e o governo Lula enfrentaria pressão mais intensa em tarifas, sanções e temas bilaterais.
O ponto central é que, de qualquer forma, Lula sai perdendo. Se Trump perde espaço interno e foca nas causas externas, o Brasil perde o alívio que alguns imaginavam. Se os republicanos mantêm força, a linha dura contra o governo petista continua. Em ambos os casos, o quarto mandato de Lula enfrenta obstáculos nas relações com Washington.
Segundo análise da revista VEJA, a derrota de Trump nas legislativas pode parecer favorável a Lula, mas acaba gerando dificuldades adicionais justamente porque o republicano se voltaria mais para a política externa. O comércio e as relações bilaterais ficam no centro das preocupações brasileiras, independentemente do placar final das midterms.
As eleições de meio de mandato nos EUA decidem o controle do Congresso e afetam diretamente a capacidade de Trump de implementar sua agenda. Para o Brasil, o resultado não traz alívio automático. A relação com Washington permanece tensa, e Lula terá de lidar com um Trump que, enfraquecido internamente ou não, pode pressionar ainda mais no exterior.

