No Os Pingos nos Is, da Jovem Pan, o economista Bruno Musa, sócio da Acqua Vero, analisou as projeções da disputa presidencial a partir de mercados preditivos e dos levantamentos eleitorais, e a emissora registrou que, segundo ele, o compilado e a média ponderada das principais casas têm mostrado uma vantagem numérica de Flávio Bolsonaro sobre Lula num eventual segundo turno, com a ponderação, ainda dele, de que essa diferença pode ser transferida por meio do voto útil já no primeiro turno de domingo.

O que as casas publicaram na última semana mostra de onde sai essa leitura e também o limite dela, porque a Palver, de 20 a 23 de setembro, deu 48% a Flávio e 45% a Lula, a Real Time Big Data deu 45% a 44%, a PoderData deu 46% a 45% e a Futura deu 49,4% a 43,7%, enquanto a Datafolha, de 22 a 24, inverteu o número, com Lula em 47% e Flávio em 45%, a Nexus/BTG, de 25 a 27, deu 46% ao presidente e 44% ao senador, e a Quaest, de 24 a 27, cravou 42% a 42%, de modo que a vantagem que Musa chama de numérica aparece em parte das casas, some em outras e, onde a margem é de dois pontos, cabe dentro do erro.

Nos agregadores, a fotografia é a mesma disputa apertada, porque o PollingData, em 24 de setembro, punha Flávio em 46% e Lula em 45%, a BBC, no dia 25, punha 45% a 44%, e o agregador do UOL, na mesma data, invertia por 0,3 ponto, com Lula em 44,8% e Flávio em 44,5%, ao passo que o mercado preditivo, que não é pesquisa e é proibido no Brasil, precifica outra coisa, e o Bahia Notícias registrou na terça (29) que a Polymarket recolocou Flávio em 58% das apostas de vitória, contra 41% de Lula, uma distância de 17 pontos, depois de o senador ter chegado a 61% no meio do mês, com o detalhe de que só 25% de quem marcou uma previsão nesse mercado aponta vitória dele já no primeiro turno.

O que Musa levou ao Pingos, a quatro dias da urna, é a tese de que a média do segundo turno já inclina o número para Flávio e de que o voto útil pode puxar essa conta para domingo, sem que nenhuma casa isolada tenha transformado o empate técnico em vantagem fora da margem, de forma que o eleitor que ouviu o economista ouve uma leitura de conjunto, e não um placar fechado, enquanto o mercado de apostas trata a eleição como probabilidade de vitória e as pesquisas, como intenção declarada, dois instrumentos que nesta semana apontam o mesmo nome na frente e medem coisas diferentes.