FOLHA MOSTRA QUE A ROCKBRIDGE NÃO OPEROU E O QUE SOBRA É O INTERESSE ECONÔMICO
Documentos lidos por Alexa Salomão dizem que o projeto foi rejeitado, não recebeu dinheiro e está suspenso desde maio, no mesmo campo em que a China já disputa minerais e tecnologia
O Café da Manhã da Folha desta quarta-feira (30) voltou ao que a repórter Alexa Salomão publicou no dia 28, depois de ler documentos da Rockbridge Network, o grupo americano que tem entre os cofundadores o vice-presidente JD Vance, e o que esses papéis sustentam não é uma máquina eleitoral financiando Flávio Bolsonaro, porque a própria Rockbridge disse à Folha que a empresa brasileira chegou a ser registrada, o projeto foi rejeitado e nunca recebeu financiamento, não começou a operar e não foi usado em nenhuma atividade empresarial, além de negar intenção política e afirmar que o nome está sendo usado de forma imprópria, enquanto Pedro Sang, um dos brasileiros citados, confirmou o contato e disse que a iniciativa está suspensa desde maio, e Talles Gomes afirmou que o conselho de tecnologia era só uma proposta que ficou no papel, nunca foi instalado e nunca se reuniu.
A acusação que essa apuração esvazia foi feita por Renan Santos, do Missão, no debate, quando ele sugeriu que a campanha de Flávio teria recebido recursos indiretos do grupo, versão que os auxiliares do senador negam e que a campanha de Lula levou ao STF e ao TSE como pedido de investigação, sem que a Folha tenha encontrado o repasse, o contrato ou a operação que transformariam o contato em interferência, de modo que o que sobrou escrito nos documentos é um desenho econômico, um fundo descrito como venture capital político nas frentes de mídia, formação de jovens e atividade legislativa, e um conselho de tecnologia com 23 integrantes, quatro deles brasileiros, projetando impacto de mais de US$ 100 bilhões em dez anos, justamente na disputa tecnológica entre Estados Unidos e China.
Esse é o mesmo tipo de interesse que o governo chinês e as empresas da China já exercem no Brasil sem que o Planalto chame isso de interferência eleitoral, porque a Agência Brasil registrou, no dia 16, quando Lula sancionou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, com até R$ 7 bilhões em incentivos e um fundo garantidor que começa com R$ 2 bilhões da União, que a reserva brasileira de terras raras é a segunda do mundo, cerca de 21 milhões de toneladas, atrás apenas da China, com cerca de 44 milhões, minerais que entram em turbina, carro elétrico, celular e sistema de defesa, campo em que Pequim já é o maior parceiro comercial do país e o principal processador global dessa cadeia.
O que a Folha colocou na mesa, portanto, é a assimetria do argumento, porque o contato da Rockbridge com empresários e com políticos, entre eles Flávio e Romeu Zema, que não comentaram, virou pedido de investigação no Supremo, enquanto o interesse econômico que os papéis descrevem, tecnologia, minerais e uma aposta de dez anos, é o mesmo interesse que a China pratica aqui todos os dias, com a diferença de que o projeto americano, pelo que a própria reportagem apurou, não recebeu dinheiro, não se reuniu e está parado desde maio, e o chinês segue instalado.

