O Ministério Público Eleitoral do Distrito Federal pediu o envio ao Supremo Tribunal Federal (STF) de uma notícia-crime apresentada por Flávio Bolsonaro (PL) contra o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. O promotor Paulo Roberto Binicheski argumenta que o caso pode envolver também o advogado-geral da União, Jorge Messias, que tem foro privilegiado na Corte.

A notícia-crime, protocolada na 1ª Zona Eleitoral do DF em 11 de outubro, acusa Andrei de usar a estrutura da PF em benefício do PT, após ele conceder entrevista coletiva no dia do primeiro turno, em 4 de outubro, no Centro Integrado de Comando e Controle Nacional, em Brasília. Na ocasião, Andrei anunciou uma apuração preliminar sobre possível interferência estrangeira no processo eleitoral.

A representação de Flávio aponta que o episódio teria começado em 30 de setembro, com reportagem do jornal britânico The Guardian sobre possíveis iniciativas do governo norte-americano com repercussões na política brasileira. No dia 1º de outubro, Messias se manifestou publicamente sobre o assunto e assinou dois ofícios: um ao Procurador-Geral da República, solicitando atuação, e outro ao diretor-geral da PF, pedindo a apuração formal da notícia.

O candidato do PL sustenta que não havia base para as comunicações, por falta de confirmação dos fatos, de identificação de autores e de condutas penalmente relevantes. Segundo ele, o anúncio da apuração deu repercussão “político-eleitoral” a suspeitas não confirmadas, com potencial prejuízo à sua candidatura e favorecimento do adversário.

A representação afirma ainda que a apuração da PF foi arquivada logo depois, mas teve grande repercussão na imprensa. O pedido do MPE ao STF busca definir o foro adequado diante da possível participação de Messias.