Ganhando ou perdendo o segundo turno, Lula promete cumprir um acordo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e não deixar aberta a 11ª vaga no Supremo Tribunal Federal. A indicação do ex-senador Rodrigo Pacheco é tratada como praticamente certa.

Segundo análise do Correio da Manhã, Alcolumbre pautou na reta final da campanha votações que poderiam dar sobrevida eleitoral à reeleição de Lula. Em troca, o presidente se compromete a preencher a cadeira com Pacheco, hoje no Tribunal de Contas da União, nome de reconhecida cordialidade e notório saber jurídico.

Com o atual quadro de senadores — incluindo os que deixam o mandato em 2027 e os que ficam —, Alcolumbre teria a maioria necessária para aprovar o ex-presidente do Senado. A indicação funcionaria como seguro político, não só para Alcolumbre, mas para outros senadores, especialmente os que perderão imunidade.

A lógica é de ganha-ganha: se Flávio Bolsonaro vencer, Lula tira do futuro presidente a indicação de uma cadeira vazia. Se for reeleito e deixar a vaga para 2027, enfrentará dificuldades com o novo Senado que emergiu das urnas e sem parte da sua tropa de choque. É matemática política pura, e vai além de simples gratidão a Alcolumbre, que precisaria de um ministro para chamar de seu no STF, sobretudo se avançarem investigações envolvendo o advogado Willer Tomaz.