Em plena eleição e com as relações entre Brasil e Estados Unidos sob tensão, Alexandre de Moraes voltou a mirar as empresas de tecnologia americanas. Durante evento no Tribunal de Contas do Município de São Paulo, nesta segunda-feira (24), o ministro afirmou que a sociedade foi ingênua ao acreditar na neutralidade das big techs. Segundo ele, as plataformas possuem ideologia, interesses econômicos e finalidade política — e utilizam algoritmos para transformar eleitores em consumidores e candidatos em produtos.

A declaração ultrapassa uma discussão técnica sobre redes sociais. Moraes citou o julgamento do Marco Civil da Internet e defendeu maior responsabilização das plataformas justamente quando companhias americanas, como Rumble e Trump Media, contestam sua atuação nos tribunais dos Estados Unidos. O governo Trump e parlamentares republicanos também já acusaram decisões brasileiras de alcançar a liberdade de expressão de cidadãos e empresas americanas. Nesse ambiente, um novo ataque público às big techs tende a ser interpretado em Washington como insistência na mesma linha que provocou a crise.

Até agora, Trump não respondeu diretamente à palestra, portanto não é correto afirmar que uma nova sanção já esteja sendo preparada. Mas Moraes escolheu um alvo estratégico e voltou a alimentar um conflito que deixou de ser apenas brasileiro: quando um ministro do STF questiona o poder político de empresas sediadas nos Estados Unidos, o debate sobre regulação rapidamente se mistura a soberania, jurisdição internacional e liberdade de expressão — exatamente os temas que já colocaram Brasília e Washington em rota de colisão.