MP Eleitoral recebe notícia-crime contra Renan por fala sobre Janja
Advogado filiado ao PSol pede investigação por injúria eleitoral após provocação feita durante debate da Band
Uma frase provocativa dita no debate presidencial agora tenta arrastar Renan Santos para uma investigação eleitoral. O advogado Olímpio Rocha, filiado ao PSol, protocolou no Ministério Público Eleitoral uma notícia-crime contra o candidato do Missão. Renan afirmou que Lula estaria com “aquela Janja” e, depois, declarou: “Ou tá bêbado ou tá com a Janja. Melhor ficar bêbado”. A representação foi registrada sob o nº 20260068681.
O advogado sustenta possível injúria eleitoral, prevista no artigo 326 do Código Eleitoral, e propaganda depreciativa da condição feminina. Mas há uma diferença decisiva: o protocolo foi feito por um particular e ainda não significa que o Ministério Público concordou com a acusação, abriu ação penal ou denunciou Renan. O próprio autor reconhece que Janja não é candidata nem exerce mandato, razão pela qual não enquadrou o episódio no crime específico de violência política previsto no artigo 326-B.
A fala pode ser considerada grosseira e desnecessária, mas isso não basta, por si só, para transformá-la em crime. O MPE terá de demonstrar finalidade eleitoral, ofensa concreta à dignidade de Janja e adequação estrita ao tipo penal, respeitando a proteção reforçada da crítica política em campanha. Se toda provocação ácida virar notícia-crime, o risco é evidente: o debate eleitoral deixa de ser respondido no campo das ideias e passa a ser controlado pelo medo de investigações.

