Nome de operação contra Lulinha sugere que Polícia Federal quer chegar até Lula
Batizada de “Elli”, fase que quebrou sigilos do filho do presidente foi interpretada no Planalto como referência ao bordão “Faz o L”
Um nome aparentemente simples acendeu o alerta máximo no entorno do presidente: “Operação Elli”. Foi assim que a Polícia Federal batizou a fase que obteve a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Lulinha e da lobista Roberta Luchsinger para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro. Aliados de Lula enxergaram na sonoridade uma referência provocativa ao “Faz o L” — interpretação que alimenta a percepção de que uma ala da PF já não pretende parar no filho e quer descobrir se as articulações alcançavam o pai.
A investigação avança sobre fluxos financeiros, mensagens e acessos ao governo. É justamente esse caminho que pode aproximar o caso do presidente: se surgirem provas de que Lula conhecia negociações ilícitas, autorizou atos oficiais em benefício de interesses privados ou participou de alguma contrapartida, a apuração poderá subir de patamar. Lulinha já é investigado em diferentes inquéritos e nega irregularidades; sua defesa afirma que os vazamentos têm finalidade eleitoral e anunciou que cobrará explicações sobre o nome da operação.
Mas o nome, sozinho, não prova uma ofensiva da PF contra Lula. Nos documentos conhecidos, a corporação afirma que a Operação Elli nasceu de evidências colhidas em fases anteriores sobre possível lavagem reiterada e não explica qualquer vínculo com o bordão político. Lula não aparece publicamente como alvo formal dessa fase. Ainda assim, o incômodo do Planalto revela que a mensagem simbólica foi recebida: quando os investigadores seguem o dinheiro e a influência até os corredores do governo, a distância entre o caso do filho e o presidente pode depender apenas do que as próximas provas mostrarem.

