Moraes ri no fim da sessão e a polícia judicial manda o fotógrafo guardar a câmera
Wilton Junior, do Estadão, registrou o sorriso após oito horas de xingamento; na saída, o segurança barrou a lente
O fotógrafo Wilton Junior, do Estado de S. Paulo, flagrou Alexandre de Moraes rindo ao fim da sessão extraordinária de terça-feira (15). O registro saiu depois de quase oito horas de acusações com André Mendonça. Moraes disse que o colega usou a Polícia Federal para enfiá-lo numa delação. Mendonça chamou de mentira. Gilmar Mendes falou em atuação “leviana”. Mendonça devolveu: “Não aponte o dedo para mim. Não está falando com qualquer um.” A Revista Oeste reproduziu a foto do sorriso. A sessão passou das 20h. Dino pediu vista.
Na porta, a polícia judicial do Supremo abordou fotógrafos e pediu que não registrassem os ministros na saída. O Tempo descreveu profissionais cercados, detector de metal e um segurança que cutucou quem encostou a lente na fresta da cortina. A restrição endureceu em 3 de setembro, um dia depois de Brenno Carvalho, do Globo, fotografar Moraes, Gilmar e Cristiano Zanin sorrindo no Salão Branco — a primeira sessão presencial após as mensagens de Vorcaro. Na terça, a mesma polícia abateu um drone na Esplanada durante o julgamento.
O plenário xinga. O corredor ri. A câmera é o problema. A foto de Wilton Junior existe porque o fotógrafo ainda alcançou o instante. A ordem na calçada existe porque o instante de 2 de setembro circulou. O Supremo que pede desculpas pela sessão “desastrosa” trata o sorriso como risco de imagem e a lente como ameaça. O país viu o bate-boca na TV Justiça. O que a Corte não quer é o close do ministro que saiu da briga rindo — e o segurança na fresta para garantir que o close não se repita.

