Após editoriais de jornais como Folha de S.Paulo, Estadão e Gazeta do Povo defenderem a saída de Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal, aumentaram as especulações sobre uma possível renúncia. Na avaliação do advogado e jornalista Dr. Sandro Gonçalves, porém, o ministro não deixará o cargo e tentará resistir à pressão até que a crise provocada pelas revelações do caso Banco Master perca força.

Segundo a análise, Moraes aposta na possibilidade de recuperar influência política e institucional caso Lula vença a eleição presidencial e Paulo Gonet permaneça à frente da Procuradoria-Geral da República. Atualmente vice-presidente do STF, Moraes é o sucessor esperado de Edson Fachin e, mantida a tradição de antiguidade adotada pela Corte, deverá assumir a Presidência do Supremo em setembro de 2027, para um mandato de dois anos.

Dr. Sandro avalia que os próximos movimentos do plenário serão decisivos: se houver investigação formal, eventual tentativa de interferir no procedimento poderá alimentar uma acusação de obstrução de Justiça e abrir discussão sobre medidas cautelares, inclusive prisão, desde que estejam presentes os requisitos legais. Para o analista, a ausência de uma reação institucional nos próximos dias indicará que Moraes conseguiu ganhar tempo e permanecerá no cargo à espera de um cenário mais favorável, enquanto André Mendonça poderá enfrentar forte resistência interna quando o atual vice-presidente assumir o comando da Corte.