O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a chamar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “ladrão” e “corrupto” durante entrevista concedida na noite deste domingo (2 de agosto) ao canal La Nación+ (LN+). As declarações ocorrem em meio à tensão diplomática entre os dois países, aberta na semana anterior.

MILEI REAFIRMA FALAS E DEFENDE O TOM USADO

Questionado sobre as críticas feitas na convenção do Partido Liberal em São Paulo, no dia 25 de julho, Milei respondeu: “É ladrão. É um ladrão, é um corrupto, foi condenado por ser ladrão e corrupto. Esteve preso, então é verdade que é ex-presidiário”. Em seguida, afirmou que Lula “foi liberado por uma falha administrativa de procedimento e não por ser inocente”.

Quando o entrevistador perguntou se a forma de se referir ao presidente brasileiro era agressiva, Milei rebateu: “Eu menti?” e acrescentou que “é muito mais leve dizer ladrão para o ladrão do que o próprio ato de roubar”. O argentino classificou as falas como espontâneas e ligou-as à “batalha cultural” contra o que considera o socialismo na região.

CRISE DIPLOMÁTICA JÁ ESTAVA ABERTA DESDE A CONVENÇÃO DO PL

Na semana passada, durante o evento que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, Milei já havia chamado Lula de “ladrão”, “corrupto”, “presidiário” e “lixo socialista”, além de se referir ao ministro Alexandre de Moraes como “lixo careca”. O Itamaraty respondeu convocando o embaixador argentino em Brasília para prestar esclarecimentos e chamando o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas em Brasília. Até o momento, não há data definida para o retorno do diplomata brasileiro à Argentina.

CONTEXTO DAS DECLARAÇÕES E POSICIONAMENTO DE MILEI

Lula foi condenado em processos da Operação Lava Jato, cumpriu pena e teve as condenações anuladas pelo Supremo Tribunal Federal por questões processuais e suspeição do juiz. Milei insiste que a soltura não equivale a inocência e usa o episódio para reforçar sua oposição ao petismo e ao modelo que considera socialista. O presidente argentino negou que as críticas façam parte de estratégia alinhada a Donald Trump e apresentou-as como defesa das “ideias da liberdade” no continente.

As novas declarações elevam o atrito bilateral em momento em que os dois países são sócios comerciais relevantes no Mercosul. O governo brasileiro ainda não se manifestou oficialmente sobre a entrevista de domingo.