Mensagens divulgadas pelo Estadão apontam que Alexandre de Moraes participava diretamente da organização de fóruns jurídicos privados promovidos por Daniel Vorcaro no exterior. Segundo o material extraído pela Polícia Federal, o ministro opinava sobre a programação, aprovava textos, encaminhava convites a autoridades e vetava participantes. Em uma das conversas, Vorcaro afirmou que Moraes “nos mata” caso Antonio Rueda fosse chamado para moderar um painel; em outra frente da organização, estava prevista até a entrega de um troféu do banqueiro ao magistrado. Os registros colocam Moraes muito além da posição de simples convidado e revelam influência na montagem dos eventos patrocinados pelo dono do Banco Master.

Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro em montagem sobre o caso Banco MasterAlexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Reprodução

A proximidade aparece em outros episódios do mesmo relatório. Em outubro de 2025, Vorcaro autorizou dois cartões do Master com limite de R$ 300 mil cada para Giuliana e Alexandre Barci de Moraes, filhos do ministro, após solicitação do administrador do escritório comandado por Viviane Barci de Moraes. Os documentos ainda indicam encontros entre Moraes e Vorcaro em 14 e 16 de novembro, sendo o último um dia antes da prisão do banqueiro. Eventos, cartões, contrato milionário com o escritório da família e reuniões às vésperas da operação formam um conjunto que aumenta a pressão por esclarecimentos sobre a extensão da relação entre o ministro e Vorcaro.